Bênção dos alimentos reúne famílias e mantém viva tradição eslava em Curitiba

Gazeta do Abranches

Celebração da Páscoa Polonesa no Bosque do João Paulo II.
Curitiba, 08/04/2023.
Foto: José Fernando Ogura/SMCS (arquivo)

Celebração da Páscoa Polonesa no Bosque do João Paulo II. Curitiba, 08/04/2023. Foto: José Fernando Ogura/SMCS (arquivo)

Em Curitiba, a Páscoa não se resume apenas na troca de chocolates. O feriado cristão é marcado pela bênção dos alimentos, tradicional no Sábado de Aleluia entre os povos eslavos. O ritual trazido a partir da segunda metade do século 19 pelos imigrantes poloneses e ucranianos acontece após o jejum praticado no período da Quaresma.

As cerimônias são celebradas anualmente no Memorial da Imigração Polonesa, no Bosque do Papa, e no Memorial Ucraniano, no Parque Tingui, reunindo famílias e comunidades que mantêm a tradição viva. 

No Memorial Polonês, no Bosque do Papa, a programação da Swieconka, que significa a alegria pela bondade de Deus que nos dá o alimento, começa com almoço típico neste sábado (2/4), às 12h. Em seguida, grupos folclóricos se apresentam e às 15h30 acontece a cerimônia da benção dos alimentos.

No Memorial Ucraniano, dentro do Parque Tingui, a bênção dos alimentos é realizada no mesmo dia, das 15h às 16h30. No entanto, desde a manhã até o fim do dia vária barracas de artesanato ucraniano integram a programação do Sábado de Aleluia.

Cestas

 
 
 
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Entre os poloneses, a Swieconka consiste na bênção de cestas com alimentos que serão consumidos no domingo de Páscoa. Entre os itens estão pão, sal, pernil, raízes, bolos e os tradicionais ovos decorados, conhecidos como pisanka. De acordo com o costume desses povos, esses alimentos devem permanecer intocados até o café da manhã pascal, simbolizando renovação e partilha.

A cesta ucraniana não difere muito em relação aos alimentos leva como item principal a paska (pão decorado), raiz-forte, e também as pêssankas (ovos decorados), manteiga, mel, carne defumada. A principal diferença é que os ucranianos cobrem os alimentos com a rushnyk, toalha bordada que representa a túnica de Cristo.

Antes dos eslavos

Antes da chegada desses imigrantes, a Páscoa em Curitiba era fortemente influenciada pela tradição portuguesa, com práticas como a bênção das casas e a ornamentação das igrejas.

A partir da segunda metade do século 19, com o fluxo migratório, a celebração ganhou novos significados. “A chegada dos imigrantes tornou a festividade mais diversa e multicultural, como vemos hoje”, explica a pesquisadora Angela Medeiros, da Fundação Cultural de Curitiba.

Os poloneses começaram a chegar à região por volta de 1871, fundando colônias em áreas como Santa Cândida, Abranches e Orleans. Já os ucranianos vieram a partir de 1894, fixando-se em Curitiba e em cidades do interior, como Prudentópolis e Mallet, que até hoje preservam forte identidade cultural eslava.

Essa presença deixou marcas não apenas nas tradições religiosas, mas também na paisagem urbana e cultural da cidade. Espaços como o Memorial da Imigração Polonesa, inaugurado em 1980, após a visita do Papa João Paulo II, e do Memorial Ucraniano, criado em 1995, ajudam a agregar as comunidades e a preservar e difundir a cultura dos antepassados ao longo do ano.

Bênção dos alimentos reúne famílias e mantém viva tradição eslava em Curitiba. Foto: Cido Marques (arquivo)
Bênção dos alimentos reúne famílias e mantém viva tradição eslava em Curitiba. Foto: Cido Marques (arquivo)

Serviço

Benção dos Alimentos
Data: sábado (4/4)

Memorial Ucraniano – Parque Tingui
Endereço: Rua Dr. Mbá de Ferrante, s/ nº – Pilarzinho
Das 10h às 18h (barracas de artesanato)
Das 15h às 16h30 (benção dos alimentos)

Memorial Polonês
Endereço: Rua Euclides Bandeira, s/nº Centro Cívico
12h (almoço típico)
Das 13h30 às 15h30 (grupos folclóricos)
A partir das 15h30 (benção dos alimentos)

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