LENDAS URBANAS : Casa mal assombrada II

Professor Aimoré Indio do Brasil Arantes

Continuação da edição anterior.

O Repórter e o vizinho Hermann dirigiram-se à casa onde a família já os aguardava reunida e ainda assustada.
Após apearem, enquanto Jan, o filho mais velho do casal acomodava os cavalos no estábulo, entraram e o vizinho fez a devida apresentação. “Este moço é de um jornal e veio saber sobre o que tem acontecido aqui”. Enquanto entravam e se acomodavam em cadeiras e algumas banquetas rústicas em volta de uma mesa ornamentada com uma linda toalhinha bordada à mão, pela esposa Joana, e um vaso de porcelana com algumas flores do jardim colhidas no dia. Isso era o serviço da jovem Elzbieta.
Franciszek Straszliwy, polaco da Gallicia, um sujeito magro com idade de 40 anos, barba por fazer e corpo arqueado pelo trabalho duro na lavoura, pôs-se então a narrar os acontecimentos, dizendo que “haviam chegado da Europa há seis anos, o casal com os filhos ainda crianças, compraram aquella propriedade de um velho allemão, sem família, que ali vivia uma vida toda mysteriosa. Depois de effectuada a transação não teve mais notícias do allemão, suppondo que tenha ido para o Rio Grande do Sul. Segundo lhe dissera, durante todo o tempo que alli residiam nunca qualquer cousa anormal tinha acontecido, a não ser um certo dia pouco depois de haver elles tomado posse da propriedade amanhecer a casa destelhada em vários pontos. As telhas foram encontradas cahidas ao redor d’ella. Que elle não ligou maior importância ao facto, apesar de ser extranho e que mesmo nunca disse nada d’isso a quem quer que seja. Que há uma semana mais ou menos, ao deitar-se ouviu e sua mulher também um grande ruído vindo do forro da casa, ruído que foi augmentando até transformar-se em verdadeira tempestade. Que também ouviram gemidos, soluços e gritos. Que amedrontados, apavorados não tiveram animo para levantar-se afim de averiguarem do extraordinário sucesso.
No dia seguinte procuraram bem o que poderia ter dado causa ao facto e não encontraram. Desde então todas as noutes repetem-se os mesmos factos e chegam mesmo a cahir do tecto pequenas pedras e fragmentos de tijolo.
De dia tudo corre bem, nunca viram nem ouviram cousa alguma, calcula que as 10 horas da noute começa todo o barulho, pois não tem relógio para certificar-se exactamente da hora”. O sr. Straszliwy mostrou os pedaços de pedras e tijolos que ele tem reunido e guardado em uma gaveta de um velho e escurecido baú. Elle e a mulher convidaram o repórter a dormir uma noute em casa d’elles para certificar-se por si próprio, como fizera o vizinho, dos esquisitos acontecimentos. Disseram ainda, entristecidos, que tinham ido há dias convidar um padre para vir benzer a casa, mas que ele recusara-se lançando o ridículo sobre o que eles contavam”.
Jorge, o repórter prometeu então voltar em um outro dia para ali passar uma noite e ao sair para retornar à cidade ainda lançou um golpe de vista sobre a casa, observando que ela está completamente isolada, tendo ao lado um grande rancho também de madeira que serve de estábulo e depósito de ferramentas agrícolas, carros e outros utensílios. O repórter, enquanto se afastavam para ir embora, soube que o polaco Franciszek convidou Afonso Gerivá e Simplício Tertuliano dos Santos, dois valentes moradores, de Tamandaré e da Tranqueira, a dormirem a próxima noite na casa mau assombrada. Esses dois caboclos aceitaram o desafio porque eram afamados na Zona Norte de Curitiba como arruaceiros em festas e ajuntamentos onde iam e pela facilidade do uso de facões e garruchas, além de serem meio cachaceiros.
Tomaram conhecimento dos fatos quando vieram ao centro da cidade vender uma partida de toucinho e na volta pararam em um armazém no São Lourenço e enquanto tomavam umas pingas no balcão desfiando as suas façanhas alguém lhes contou o fato.
É claro que por não acreditarem em assombração foram logo até a chácara do polaco para saberem da verdade. Ouviram, ouviram e arrotando valentia aceitaram o desafio e convite para passarem ali uma noite. Mas, antes precisavam ir até o interior onde moravam levar a tropa de cargueiros usada para transportar o toucinho até a cidade e no retorno os suprimentos encomendados para as vendas da região onde moravam.
Voltaram dois dias depois do convite intermediado pelo dono da venda no São Lourenço. Por ser amigo do polaco Straszliwy o vendeiro os acompanhou até o Pilarzinho .
O resultado os leitores terão na próxima edição, após a equipe do jornal voltar ao Pilarzinho para saber os sucessos.

Colaboração:
Volnei Lopes da Silva
Revisão:
Professor Aimoré Arantes

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